Empresas como Fontana e Girando Sol mostram resiliência ao superar os impactos das enxurradas, enquanto Encantado se consolida como polo de inovação em cosméticos e tratamentos capilares, com exportações em alta
A indústria química do Vale do Taquari (RS), especialmente de produtos sanitários, tem na região um polo de relevância mundial. “Produzimos óleos que servem como soluções para a cadeia produtiva da indústria química fina em todas as regiões do mundo a partir da gordura animal, que seria uma eliminação produzida na região. A partir da nossa produção, em Encantado, fornecemos óleos e glicerina para indústrias, e em relação aos ácidos graxos, também resultantes desta matéria-prima, o principal destino é a indústria brasileira”, explica o diretor da fábrica de produtos de limpeza Fontana, Maurício Fontana.
A empresa, que se viu obrigada pelas cheias deste e do ano passado a transferir parte da produção para Teutônia, completou 90 anos neste mês e é uma das expoentes neste setor. Além dos 10 produtos de óleos químicos fornecidos a terceiros, a Fontana figura entre as 10 maiores empresas brasileiras no setor de consumo, que inclui produtos de limpeza e higiene pessoal, como sabonetes e sabonetes em barra, saneantes e produtos de limpeza de roupas. São 140 marcas vendidas pela empresa do Vale do Taquari.
Segundo Fontana, a partir do baque concretizado em maio, serão necessários até dois anos para recuperar o mercado perdido entre Brasil, Mercosul e Caribe. Antes das cheias, a fábrica instalada em Encantado tinha capacidade produtiva de quatro milhões de toneladas de produtos por mês, e vinha operando em cerca de 2,5 milhões de toneladas. Agora, neste período de retomada e antes da entrada em funcionamento das novas linhas em Teutônia, que serão dedicadas à finalização de sabonetes, a empresa tem abastecido o mercado com algo em torno de 1,5 milhão de toneladas por ano.
Girando Sol
Já em Arroio do Meio, que foi um dos municípios mais atingidos pela enxurrada, a Girando Sol, mesmo sofreu os impactos, com 90 funcionários atingidos, não teve as suas instalações prejudicadas. Com a produção de materiais de primeira necessidade desde o primeiro dia de baixa das águas, tornou-se uma das forças da retomada.
“Mantivemos na íntegra nosso plano de expansão, mesmo com alguns atrasos logísticos e sem ritmo das obras. Nosso plano é inaugurarmos uma fábrica com 12 mil metros quadrados a mais no segundo semestre de 2025”, garante o diretor da Girando Sol, Gilmar Borscheid. A empresa investiu R$ 72 milhões neste ano entre a aquisição de máquinas e obras estruturais para aumentar a planta que produz, hoje, em 23 mil metros quadrados. Um planejamento, como aponta Borscheid, pensando em cinco anos futuros.
Em 2023, a empresa aumentou em 16% o seu volume de produção e em 30% o faturamento. A meta para este ano é garantir outros 12% de crescimento em ambos os fatores. São mais de 200 SKUs (rótulos) da Girando Sol. A empresa estima em cerca de 60 milhões de consumidores entre os estados das regiões Sul e Centro-Oeste e países como Uruguai, Paraguai e Chile. A meta é consolidar-se ainda mais neste espectro. “Percebemos um aumento da demanda por água sanitária, desinfetante e outros produtos relacionados ao momento de recuperação das áreas afetadas no Estado”.
Polo cosmético
É com foco no desenvolvimento de produtos químicos inovadores que se consolidam em Encantado o polo de cosméticos, principalmente no ramo de tratamentos capilares. O setor figura, inclusive, entre os produtos exportados pelo município, tendo movimentado US$ 1,29 milhão entre janeiro e setembro, 32% a mais do que no ano passado. Atuam em Encantado nove fábricas e alguns distribuidores, chegando a 20 empresas envolvidas nesta cadeia.
São empresários como Róger Soares que, com sua empresa Só Cabelos, desenvolveu uma base vegetal a partir de ácidos naturais e sem formol e derivados. “Cosméticos são produtos que, mesmo em meio à crise, sempre terão procura e consumo. Foi um nicho que se desenvolveu aqui passando a experiência de uma empresa para outra. Alguém aprende o ofício, trabalhando em uma empresa do setor, e cria a sua própria empresa ou produto. É uma cadeia que fortalece a economia.” O desafio atual do empresário, agora, é retomar o boato da marca Tricofill, recentemente assumida por ele.