Cresce interesse por produtos e marcas americanas que fazem sucesso nas redes, mas não são fabricados aqui
Sabão para lavar roupas em cápsulas, miçangas amaciantes, detergente só para louças e até esponjas especiais: produtos de limpeza americanos despertam o interesse dos brasileiros loucos por cuidados com a casa. É aquele personagem capaz de pedir um desinfetante a quem disser que vai viajar para os Estados Unidos, não tão raro no Brasil, mesmo em tempos de dólar caro.
Seduzidos pelos relatos de experiências com produtos quase milagrosos que se multiplicam nas redes sociais, consumidores brasileiros têm investido alto em itens de marcas ou formatos importados dos EUA. São produtos que não são encontrados nas gôndolas dos supermercados do Brasil, mas chegam ao país via importadores especializados e plataformas de comércio eletrônico.
Em alguns casos, os produtos cobiçados são de marcas que nunca desembarcaram no mercado brasileiro, como a The Pink Stuff, de pastas de limpeza multiuso, e a Scrub Daddy, que faz esponjas. As últimas, aliás, tiveram um aumento nas buscas de 446% na comparação de janeiro passado com o mesmo período de 2024, segundo dados do marketplace do Magalu.
Outros são itens de marcas já conhecidas por aqui, mas que ainda não são fabricados no país, como as cápsulas (mais precisamente, pods) de lava-roupas Ariel e Tide (que foi distribuída no Brasil como Ace até 2016) e o amaciante em miçangas da Downy.
Mas esses artigos das três marcas da americana Procter & Gamble (P&G) são trazidos dos EUA para o Brasil pela importadora Euroart, que registra os produtos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), troca os rótulos por versões em português e distribui para o varejo nacional. Entre os parceiros estão os supermercados Sam’s Club, Zona Sul e Zaffari, e os marketplaces Magalu, Shopee, Amazon e Mercado Livre.
Mas, claro, custa caro. Na comparação com produtos com funções semelhantes disponíveis no varejo brasileiro, os preços são bem mais altos porque embutem o frete e os tributos sobre importações. Os pods da Tide, por exemplo, passam dos R$ 70 em embalagens com 16 unidades nos sites de vendas. A versão líquida, de 1 litro, não é encontrada por menos de R$ 110, enquanto as cápsulas de Ariel saem por até R$ 240. Um frasco de 3 litros de sabão líquido para roupas Ariel distribuído no Brasil custa R$ 47,49 no Zona Sul, uma das maiores redes do Rio.
Câmbio não assusta
Mas não há câmbio ou guerra tarifária que assuste os aficionados por novidades do mundo da limpeza. A procura pelos importados só cresce, diz Adinan Ribeiro, gerente de Marketing da Euroart. Ela calcula que, no acumulado entre 2023 e 2024, a venda de produtos importados de cuidados com a casa cresceu 57% só nos marketplaces. Entre janeiro de 2024 e o mesmo mês deste ano, as buscas por lava-roupas cresceram 200%. “A alta do dólar pressionou mais o varejo tradicional, que tem mais custos, e as pessoas correram para o digital. Mas buscamos não repassar todo o câmbio. Optamos por evitar novos lançamentos”, diz Ribeiro.
A distribuição via importador funciona como uma espécie de teste de mercado para a fabricante americana: se cai nas graças dos consumidores, a produção se nacionaliza. Foi isso que aconteceu há uma década com a linha Aussie, de cuidados com os cabelos, que passou a ser fabricada no Brasil quatro anos depois de virar um sucesso de vendas por aqui.